terça-feira, 21 de julho de 2009

Cigarettes and a little child

Abri a caixa de papel. Toquei em sua superfície áspera. Peguei o primeiro da ponta esquerda. Nunca desobedecia a minha ordem numérica. Era um final de tarde, num típico dia nublado de outono. As folhas caídas no chão rememoravam as ocasiões em que estive nesse mesmo banco com meu avo, acompanhando-o em uma típica quinta-feira pós trabalho. Ele abria a caixa, tirava um baseado, e revelava seu isqueiro de ouro que comprara na Irlanda. Eu sempre achei tão bonito aquele isqueiro. A vivacidade com que aquela estampa brilhava quando ele fazia o movimento para incendiar o pequeno papel era estonteante. Sempre me perdia em suas linhas quadriculadas. Nunca me cansei de contemplá-lo. O vento começou a diminuir. Sentir a fumaça irrompendo meus pulmões e deixando meus lábios causava-me cócegas. A sensação era boa. Mas o prazer durava pouco, me levando a irresistível tentação de consumir outro. O médio pacote contido em meu bolso não envolvia balas. Eu não era mais uma imitação cômica de meu avo fumando meu palito de pirulito. Era apenas um adulto cansado, procurando em um rolo de papel algum conforto para me dar prazer.

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